Matteo Bourguignon


Matteo sempre teve uma vida privada, vivendo sua infância dentro dos muros de sua casa, perdendo a oportunidade de conhecer o mundo a fora; nascido em 1982, foi criado em um ambiente completamente diferente. Seus pais governavam a máfia norueguesa, conhecidos pelos planos frios e banhados de sangue, criaram Matteo como o sucessor, ganhando a credibilidade de que seria pior e mais calculista que o seu progenitor. Porém todo o seu comportamento foi contrário do esperado, havia se tornado um jovem esforçado por busca de conhecimento, buscava sozinho nos livros da biblioteca da mansão quando descobriu sua grande paixão por arquitetura.

Apoiado por sua mãe e contra vontade de seu pai, acabou se formando na University of Oslo – UiO, sendo um dos alunos destaque do curso.

No seu "grande dia" seu pai decidiu relembrar para Matteo o quão desgraçado ele era. No fim das escadas sua mãe se encontrava amarrada e ensanguentada no chão de madeira, sentado na poltrona, seu pai dava inicio ao discurso repetitivo de todos os dias, já sabendo de cor o desgosto e decepção que aquele velho carregava de si, mas naquele dia a frase final foi como um tiro em seu peito.

“Foi preciso eliminar aquela quem estragou o seu futuro.”

Aquele grande dia, o dia em que o sorriso de sua mãe brilhava como o sol, havia se tornado a data da morte de sua alma, naquele momento Matteo se sentiu vazio e morto, e no mesmo tempo a ira se despertava em seu coração.

“Vida que se esvaia,
Triste e vazia,
Ligeira escorre pelos dedos,
Faz-se de forte,
Diz ter sorte,
Ao cair da noite,
Distraiu-se,
Descobriu-se,
Derrubou a máscara de porcelana,
Estilhaçou em si.”

Matteo recitava esse poema enquanto pegava a arma que havia ganho do seu pai aos 13 anos, aquela arma que o introduzia naquele mundo; carregando o tambor, Matteo dedicou os últimos versos daquele poema para a morte de seu pai, não raciocinando em nada além de vingar a morte de sua mãe.

Não foi preciso procurar muito, encontrou o velho com seu charuto “escroto” na sacada do quarto. Sua feição era tranquila, o que aumentava a ira dentro de Matteo que nem ao menos hesitou em direcionar revólver em direção ao miserável que um dia chamou de pai.


“Que o teu trabalho seja perfeito para que, mesmo depois da tua morte, ele permaneça.”
Boa noite, pai.

E essas foram as últimas palavras que havia decretado as últimas ouvidas pelo velho antes de se tornar vítima de dos "últimos versos" batizados por Matteo.

"Derrubou a máscara de porcelana,
Estilhaçou em si.

Ver o sangue escorrer pelo rosto antes debochado e agora inexpressível foi o suficiente para alimentar o ego e satisfação do rapaz que se gratificava em ver o tecido do terno, sempre bem arrumado, se manchar devagar.

Agora nada mais importava, sua vida tomava um novo rumo, a morte de seu pai havia sido suficiente para vingar sua mãe e agora as coisas tomariam um novo rumo. Lançou pela sacada o cadáver de seu pai, sorrindo satisfeito ao ver o corpo parcialmente massacrado com o baque da queda.

Decidiu anunciar as boas notícias naquela mesma noite, no escritório do “velho escroto” falecido, ousou usar aquele telefone capacitado para fazer ligações para apenas um número e sem esperar muito obteve resposta do outro lado da linha, onde se deu ao dever anunciar sua nova posição.

— O velho já era, diga a todos que A Nova Era começa agora. Avise a todos.

E a linha era desligada e seu corpo relaxava sobre a grande poltrona de coura, tendo agora um grande sorriso sádico nos lábios, tendo a certeza de que as coisas seriam do seu jeito a partir daquela noite, esse seria o legado de Matteo Bourguignon.

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